"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador."
"Agora um pedido: não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar. Escrever é uma maldição." Clarice Lispector
onde menos espero que você esteja, eu te encontro. e pronto. lá me encontro outra vez onde menos espero. esperando que você esteja. a Menina escreveu em
30.8.10
domingo, 29 de agosto de 2010
quais eram os planos?
Me escreva uma carta sem remetente Só o necessário e se está contente Tente lembrar quais eram os planos Se nada mudou com o passar dos anos
E me pergunte o que será do nosso amor la raiá ra ra ra
Descreva pra mim sua latitude Que eu tento te achar no mapa-múndi Ponha um pouco de delicadeza No que escrever e onde quer que me esqueças
E eu te pergunto o que será do nosso amor la raiá ra raiá
"Convida-se para um homicídio, a ter lugar sexta-feira, 29 de outubro, em Little Paddocks, às 18h30. Amigos, por favor aceitem este convite, não haverá outro."
Procuro alguém que tenha olhos que me olhem fundo. Alguém que tenha pensamentos comigo. E palavras comigo também. Procuro alguém que segure muito a minha mão. No cinema, no caminho. Alguém que adore fazer carinho nas costas e que goste de colo. Procuro alguém com quem eu converse até amanhecer o dia. Alguém que durma ao meu lado sorrindo, sem hora. Procuro alguém que cante alto, ria, pule e brinque igual criança. Alguém que grite de alegria à toa, só por estarmos lá. Procuro alguém que almoce comigo em família. E que participe. Alguém para quem eu leve o jantar, as flores, os detalhes. Procuro alguém que tenha o que dizer nas conversas ao redor da mesa. Alguém que dê risada das piadas e que conte outras. Procuro alguém que tenha detalhes nossos como tesouros. Alguém que queira ir aos novos lugares, que corra riscos. Procure alguém que goste de teatro, e de cinema, e de carinho. Alguém que ame coisas pequenas. Alguém que tenha Deus. Procuro alguém que me traga de volta as vontades. Alguém que me provoque, me motive, me acompanhe. Procuro alguém que queira abraço no frio e carnaval no calor. Alguém que vá comigo. Alguém que me leve para onde quiser ir. Procuro alguém que saiba receber e que dê sem cobranças bobas. Alguém que saiba que não precisa cobrar. Porque há amor. Procuro alguém que tenha segurança mas que precise de mim também. Alguém que tope ir a todo tipo de peça. Alguém que me faça fazer exercícios. Procuro alguém que me telefone no fim do dia e me conte como foi. Alguém que escute com graça o que eu tenha pra contar. Procuro alguém que imagine coisas boas, que compartilhe idéias e histórias. Alguém que não ache nada bobo demais. E que ache tudo bobo e divertido! Procuro alguém que seja simples, mas com ousadia e ar condicionado no verão. Alguém que coma pastel na feira - de queijo, de carne, de palmito e de camarão. Procuro alguém que ache gostoso ir ao supermercado comigo. Alguém que se arrisque na cozinha e que me ensine a não usar tanto sal. Procuro alguém que compre Contigo! sem culpa e que assista a Friends. Alguém que compartilhe meu fascínio por Clarice. E que também a ame. Procuro alguém que finja não ter para de repente ter o susto de ter! Alguém que leia, que procure, que insista, que questione, que responda. Procuro alguém com força e com delicadeza. Procuro alguém com saudade. Procuro alguém com silêncio e com discursos. Procuro alguém com tempo. Procuro alguém sem tempo. Há? a Menina escreveu em
31.3.10
terça-feira, 30 de março de 2010
recado
Se é pra ir vamos juntos Se não é já não tô nem aqui
Românticos são poucos Românticos são loucos Desvairados Que querem ser o outro Que pensam que o outro É o paraíso
Românticos são lindos Românticos são limpos E pirados Que choram com baladas Que amam sem vergonha E sem juízo
São tipos populares Que vivem pelos bares E mesmo certos Vão pedir perdão Que passam a noite em claro Conhecem o gosto raro De amar sem medo De outra desilusão
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir Tu me devolva o que tirou daqui Que o meu peito se abre e desata os nós Altar Particular, Maria Gadu a Menina escreveu em
18.3.10
sexta-feira, 12 de março de 2010
Comida
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. (...)
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta (...)
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão.
apoia o queixo na mao esquerda e tenta achar la dentro o nome da sensacao. nao encontra. escolhe com os dedos qualquer palavra porque esqueceu como faz pra suportar o branco. preenche de mentira o vazio. preenche o vazio, de mentira. ve cada letra que prensa por dentro da pele. tudo escrito ao contrario se o olhar é de fora pro osso. tem um mórbido impulso de se arrancar de si e deixar tudo em carne viva. pára. pensa: já não está? então o ar que era fresco queima o sangue no peito. taquicardia e a unha no dente. arranca a dor, exposta no nervo doente. esse barulho de água é o quê? morte? adianta? aumenta, aumenta, continua, sem dó nem consciência. a ignorancia que te salva me arrebenta. não é morte, é uma tormenta. está tudo inundado, se vê gritante. o cheiro sufoca de medo e tranca a porta. o cheiro sou eu. sou eu que estou morta. a Menina escreveu em
24.2.10
Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; É um andar solitário entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.
It’s only half past the point of no return The tip of the iceberg, the sun before the burn The thunder before the lightning, the breath before the phrase Have you ever felt this way?
Have you ever hated yourself for staring at the phone? Your whole life waiting on the ring to prove you’re not alone Have you ever been touched so gently you had to cry? Have you ever invited a stranger to come inside?
It’s only half past the point of oblivion The hourglass on the table, the walk before the run The breath before the kiss, and the fear before the flames Have you ever felt this way?
There you are, sitting in the garden Clutching my coffee, calling me sugar You called me sugar
Have you ever wished for an endless night? Lassoed the moon and the stars and pulled that rope tight? Have you ever held your breath and asked yourself “Will it ever get better than tonight?” Tonight Glitter in the air, Pink a Menina escreveu em
8.2.10
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
enquanto isso não nos custa insistir
Existirá Em todo porto tremulará A velha bandeira da vida Acenderá Todo farol iluminará Uma ponta de esperança
E se virá Será quando menos se esperar Da onde ninguém imagina Demolirá Toda certeza vã Não sobrará Pedra sobre pedra
- que horas são? - é tarde. a Menina escreveu em
27.12.09
sábado, 26 de dezembro de 2009
faxina
Logo para começar, a melhor coisa a fazer é varrer toda essa raiva da frente.
A raiva do semelhante, do distinto, do consorte, de nós mesmos. A raiva dos mais queridos, dos desafetos, dos inimigos, dos cretinos, dos boçais, dos corrompidos, dos coitados. Do destino. Do passado. Do presente. Do ausente. Da falta de sorte, da falta de tempo, da falta de estímulo, da falta de grana. Do desgraçado do chefe, do empregado, do salário, da injustiça. Do revés, do obstáculo. Da inércia. Da ausência de horizontes.
A raiva do amor. Da falta do amor. Do desgosto. A raiva do mundo inteiro. E ainda a raiva da raiva, coitada, que não tem culpa de nada, só pratica seu ofício, é apenas sentimento.
É bom espanar com vigor a raiva que pulsa, sobe, explode e vinga. Então, dá-se uma varredura geral naquelas guardadas, cultivadas, conservadas ou escondidas embaixo de algum tapete.
Dito que a raiva cega, assim que ela é afastada pode-se então enxergar mais fundo. É hora de vasculhar as mágoas.
Certamente se encontrarão antiguidades. As mágoas de infância, mesmo as motivadas por tolices, são as mais enraizadas. Arranca-se tudo. Em seguida aparecem as apaixonadas, dos tempos de juventude: invejas, ciúmes, traições, feridas mal cicatrizadas, tudo muito exagerado. Estas têm uma vantagem: muitas são vindas de êxtases, big-bangs adolescentes, foram devidamente expelidas desde quando apareceram, portanto já se desagregaram da alma. O que sobrou é fragmento. Pouco. Resto.
Mas as mágoas mais recentes, as que permanecem alertas e continuam se alastrando, são veneno. Contaminam. Por isso é tão necessário que sejam remexidas com toda cautela possível. Depois de identificadas, todas as mágoas, sem exceção, devem ser exterminadas. Recomenda-se muito fogo para reduzir a cinzas tudo que indevidamente ficou lá atrás, encarcerado.
Antes de dar cabo das frustrações que foram ficando incrustadas na gente, convém organizá-las para devida apreciação. Cada método de organização tem suas vantagens e desvantagens. As frustrações podem ser selecionadas por ordem alfabética, cronológica ou de importância (o critério “importância”, além de ser bastante discutível, também é fadado a alterações circunstanciais, por vezes súbitas). Ou podem ficar misturadas, uma vez que fazem parte do mesmo tipo de sentimento: dor. De uma forma ou de outra, é indicado rever uma a uma. Provavelmente descobriremos que elas já não fazem o menor sentido. Sendo assim, afastamos seus fantasmas.
Chegamos agora às culpas. Terreno perigoso. Cheio de armadilhas. Há muitos tipos de culpa: as parasitas, as vampiras, as moluscas, as gulosas, as teimosas, as dissimuladas. Há aquelas que assumimos sabendo que não são nossas. As que nos submeteram, nos enfiaram goela adentro, e, humildes, incorporamos. Já viraram patrimônio. Estão entranhadas no corpo.
Há as que já nasceram ávidas para nos estragar o dia. Muitos dias. Meses. Anos. São as que nos fazem sentir causa, razão, motivo, estopim, bomba. Ah, como estas atormentam! Visto que culpa é moléstia, neste ponto da faxina é imprescindível uma aniquilação geral e irrestrita, sem possibilidade de anistia alguma.
Deletadas as raivas, mágoas, frustrações e culpas caducas é então que ele surge, com seu jeito impávido: o cerne do sofrimento, origem das amarguras, principal culpado da bagunça – o medo. Como uma pérola dentro da ostra.
O medo de morrer. O medo de viver. O medo de perder. O medo de ganhar. O medo de crescer, agir, sofrer, querer, transformar. O medo de se encontrar.
Ele é o monstro, o demônio, o desterro. Dá o fora, medo! Queremos a alma limpa e arrumada.
Dia de Faxina, Adriana Falcão no Estadão a Menina escreveu em
26.12.09
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
maldição natalina
será que foi por que não mandei carta pro Noel este ano? mas é que eu prometi...
PS: Noel, me aguarde em 2010. pelo jeito terei direito a desejos outra vez. a Menina escreveu em
25.12.09
Looks like we made it Look how far we've come my baby We might took the long way We knew we'd get there someday They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong
Ain't nothing better We beat the odds together I'm glad we didn't listen Look at what we would be missin' They said, "I'll bet they'll never make it" But just look at us holding on We're still together, still going strong
I'm so glad we made it Look how far we've come my baby.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo, ri do meu umbigo E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu! Ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que me deixa maluca, quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba mal feita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita, ai
O meu amor tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios, de me beijar os seios Me beijar o ventre e me deixar em brasa Desfruta do meu corpo como se o meu corpo Fosse a sua casa, ai.
O meu amor, Chico Buarque a Menina escreveu em
22.11.09
na casa branca a menina em cores estanca as dores a Menina escreveu em
21.11.09
terça-feira, 17 de novembro de 2009
original sin?
No one's got it all No one's got it all No one's got it all
I'm the hero of the story Don't need to be saved I'm the hero of the story Don't need to be saved I'm the hero of the story Don't need to be saved I'm the hero of the story Don't need to be saved
eu sou louca por você e você sabe. adoro cada pedaço, cada detalhe, cada espaço. te quero em cima, embaixo, dentro. eu sou louca por você e não tem jeito. não tem passado, não tem dor, não tem defeito que me mate o amor. seja como for, eu me perco nessa boca. porque eu sou louca, louca de morrer. por você.
porque o caminho é repetido Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.
Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária.
Clarice, em A Paixão Segundo G.H. a Menina escreveu em
10.11.09
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
porque o caminho é perigoso
É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Clarice
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice
ps: eu te amo muito e obrigada por hoje a Menina escreveu em
8.11.09
sábado, 7 de novembro de 2009
porque o caminho é feliz
É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
You and I must make a pact We must bring salvation back Where there is love I'll be there
I'll reach out my hand to you I'll have faith in all you do Just call my name And I'll be there
I'll be there to comfort you Build my world of dreams around you I'm so glad that I found you I'll be there with a love that's strong I'll be your strength; I'll keep holdin' on
Let me fill your heart with joy and laughter Togetherness, girl it's all I'm after Whenever you need me I'll be there
I'll be there to protect you Jermaine: Yeah baby With a non-selfish love that respects you Just call my name And I'll be there, I'll be there
This is the first day of my life I swear I was born right in the doorway I went out in the rain suddenly everything changed They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw I think I was blind before I met you Now I don’t know where I am I don’t know where I’ve been But I know where I want to go
And so I thought I’d let you know That these things take forever I especially am slow But I realize that I need you And I wondered if I could come home
Remember the time you drove all night Just to meet me in the morning And I thought it was strange you said everything changed You felt as if you'd just woke up And you said “this is the first day of my life I’m glad I didn’t die before I met you But now I don’t care I could go anywhere with you And I’d probably be happy”
So if you want to be with me With these things there’s no telling We just have to wait and see But I’d rather be working for a paycheck Than waiting to win the lottery Besides maybe this time is different I mean I really think you like me
do I really really feel it? Oh, come on, come on, come on, come on! Didn’t I make you feel (oh, honey) like you were the only man (I ever wanted and I ever needed)? Didn’t I give you nearly everything that a woman possibly can? Honey, you know I did! And each time I tell myself that I, well I think I’ve had enough, But I’m gonna show you, baby, that a woman can be tough.
I want you to come on, come on, come on, come on and take it! Take another little piece of my heart now, baby! Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah. Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby. You know you got it if it makes you feel good, Oh, yes indeed.
You’re out on the streets looking good, And baby deep down in your heart I guess you know that it ain’t right, Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night, Babe, I cry all the time! And each time I tell myself that I, well I can’t stand the pain, But when you hold me in your arms, I’ll sing it once again.
I’ll say come on, come on, come on, come on and take it! Take another little piece of my heart now, baby. Oh, oh, break it! Break another little bit of my heart now, darling, yeah, Oh, oh, have a! Have another little piece of my heart now, baby, You know you got it, child, if it makes you feel good.
I need you to come on, come on, come on, come on and take it, Take another little piece of my heart now, baby! oh, oh, break it! Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c’mon now. oh, oh, have a... Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it, child, if it makes you feel good.
quando você diz sim que me lê e adora aflora em mim um sorriso que demora
quando você entra assim em mim sem hora eu digo sim não sim não vou embora
quando você enfim se ajeita e me namora a gente chora de felicidade
e quando você de chinfrim chama minhas rimas de amor(a) eu te amo porque é verdade a Menina escreveu em
17.10.09
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
criança feliz #twittesuainfancia
eu imitava o sidney magal cantando sandra rosa madalena. minha babá-segunda-mãe foi a Betinha que mora comigo até hoje. eu passava as férias de verão com meus pais e irmãos em recife. e as de inverno com meus pais, irmãos, tios, primos, agregados e afins em campos do jordão, a gente lotava um hotel. viajei de navio para o caribe no eugenio c. meu pai organizou um grupo de 40 e fomos para a africa do sul. eu aprendi o que era aparthaid. e vi de perto pela primeira vez como o ser humano pode ser cruel. fui também para o tahiti e dei comida para os tubarões. aos 4 anos fui uma árvore no teatro. aos 13 tive meu primeiro papel de verdade, um duende. na quinta-série eu escrevi minha primeira peça, Feliz Natal, e encenamos no pátio da escola. só lembro de duas personagens: Refrozéia e Jodrézia. quem fazia era o sansone e o lelê. uma vez um menino idiota da minha classe me encheu tanto que eu bati nele. ficaram cantando pra mim a música da paraíba. meus primeiros namoradinhos se chamavam diogo, santiago, ricardo, gustavo, renato e zé eduardo. adorava receber cartinhas onde os meninos escreviam "quer namorar comigo?" e embaixo desenhavam um quadradinho SIM e um quadradinho NÃO pra você fazer um X na sua resposta. fui da 1aD, da 2aC, da 3aC e da 4aD. minha melhor amiga no primário era a lotito. no recreio a gente fazia dupla de snooker e pebolim. e ganhava de todo mundo. eu batia figurinha bem paca. meu álbum favorito foi o stamp color. detestava usar saia até começar a ter festas de 15 anos. então passei a adorar dançar valsa. sempre amei aniversário. mas só lembro do bolo da branca de neve. a amiga da minha irmã me telefonava e dizia que era a branca de neve. eu acreditava. descobri que papai-noel não existia quando vi meu presente embaixo da cama dos meus pais. detestei descobrir. imitava o jô soares fazendo o "soninho" e o "waldir, a gente temos aí...?". passava todos os finais de semana no clube. assistia a todos os ensaios de teatro do meu pai. decorava os textos de todos os personagens. andava muito de bicicleta. e colocava um copo de plástico raspando no pneu pra fazer baruhinho de motor. andava de CB400 com meu pai. dei dez pontos na cabeça quando bateram na traseira da caravan e eu meto cocoruto numa parte dura que tinha em cima do banco. e por isso perdi o pique-nique no sítio da cacau. chorei muito. assistia a sítio do pica-pau amarelo, armação ilimitada, zybembom, fofão, toppo giggio, super vicky, caras e caretas, jambo e ruivão, brasinhas do espaço e caverna do dragão. chorava com o programa de natal da xuxa. tive genios, merlim, donkey-kong de duas telas, intelevision e tv de controle remoto com fio. usei roupa de papel krepon. cortei o cabelo igual ao da paula toller. estudei inglês no pink and blue. fui federada no volley mas meu time era péssimo. tive os patins de botinhas brancas com rodinhas vermelhas, andei muito e joguei hókei sobre rodas :). usei relógio champignon que trocava a pulseira. fui na tamatete uma vez na vida e achei um horror. usei polaina no frio. fiz primeira comunhão. assisti a cristiane f na casa da isabela porque a mãe dela era liberal. minha mãe nem sonha que fiz isso. entrei na boite do clube de dia, pela janela com o zé eduardo, e ficamos lá dando beijo na boca. ele usava aparelho e me cortou todo o lábio. brincava de panteras e mosqueteiros com a tati e a raquel. meu professor de órgão era albino e eu tinha medo dele. fiz xixi na calça durante uma aula enquanto ele me deixou sozinha treinando minha pequena eva. saí correndo e nunca mais voltei. fiz xixi na calça mais um milhão de vezes. na cama outro milhão. cocô, nunca. tirei palito de picolé premiado da kibon no guarujá. pegava jacaré com prancha de isopor. e sem prancha. tomei muita água salgada. fazia castelo de areia com masmorra, ponte, laguinho e cercava com muro de forte. minha mãe passava hipoglós no meu nariz quando ficava vermelho de sol. sempre descascava. sempre tirei casquinha de ferida. pegava tatuzinho de praia, fritava e comia. fazia pirâmide na piscina com meus primos. esquiava na água em americana. assistir ao miss brasil com a minha família era um evento. quando fui pra disney, epcot era só uma bola vazia. não me conformo que não fui pra orlando com a tia ginha, como todos os meus irmãos e primos. assistia ao domingo no parque. torcia pro cavalinho malhado no bozo. adorava ver a batalha naval. liguei mil vezes 236-0873 mas nunca consegui falar. tentei distribuir água, luz e gás para três casinhas sem cruzar as linhas durante semanas seguidas. adorava a salomé e o bozó do chico anisio. tinha vergonha quando o motorista da loja da minha irmã ia me buscar na escola de passat amarelo mostarda. passat do antigo. detestava ter que usar uniforme no colegial. não passei de química na escola. amava profundamente acampamentos, caças ao tesouro e gincanas de todo tipo. escrevi poemas desde que aprendi a escrever. usei óculos fundo de garrafa e tampão no olho esquerdo pra forçar o direito é péssimo. não adiantou nada. dividiao quarto com o meu irmão e apanhei muito dele. a mão ficava marcada na minha perna. meu pai me deixou na sala de jantar até de madrugada sentada na frente de um prato de sopa de beterraba porque eu não quis experimentar. eu ligava o chuveiro e ficava lendo gibi. adorava balanço e enjoava no gira-gira. desenhava no guardanapo com catchup e mostarda. nunca fui noiva na quadrilha da festa junina. mas também nunca quis. em compensação sempre fui capitã do time. adorava cabo de guerra, taco, queimada e tomada a bandeira, principalmente noturna. brincava de chips e mês no recreio da escola. sempre odiei sagú, arroz doce e abacate. minha mãe trabalhava nas barraquinhas da festa junina do colégio e eu morria de felicidade. tinha uma amiga chamada ana regina. brincava com ela de nave espacial no canteiro de árvore ao redor do campo de futebol da escola. os filhos do sócio do meu pai me faziam acreditar que eu ficava invisível. ficava invisível sempre na fazenda de campos. tirava leite da vaca e abraçava os bezerrinhos. eu tinha uma cachorra vira-latas chamada Jeanne. adorava Jeanne é um gênio e A Feiticeira. contava pra todo mundo que meu tio fazia Roque Santeiro e pedia pra ele dar um monte de autógrafos para os meus amigos. roía as unhas e não escovava muito bem os dentes. uma vez amarrei o pé da minha irmã no pé da cama pra ela não levantar sonâmbula. ela se estabacou no chão. tomei a maior bronca. nos dias de calor íamos todos dormir no quarto dos meus pais, que tinha ar condicionado. eu ficava no pé da cama deles. e caía no meio da noite. assisti ao Festival dos Festivais e torci pros Abelhudos. ganhei do meu pai uma máquina de escrever olivetti em forma de maletinha. e uma vitrola-maleta também. ganhei também o disco de vinil da Blitz com duas faixas riscadas. fazia pulseirinhas de linha e alça de sacola e vendia na porta de casa. tive um carrinho de rolimã maravilhoso! andei de skate. tive a locomotiva de disquinho que tocava meu limão, meu limoeiro e cai-cai balão. meu jogo favorito era candie land. montei uma amarelinha de sapatos com minha prima Grá. fiz uma domadora de pulgas no teatro infantil do clube. era campeã de xadrez todo ano no intercolegial. a mãe da cássia levava a gente de metrô. eu achava uma aventura. fiquei muito ansiosa quando o gibi da turma da mônica ia mudar da abril para a editora globo. comprava chiclete ping pong na padaria. pirulito era dip link do pozinho, anelina pra deixar a língua azul e sanduíche eu ia buscar de bici pra todo mundo em casa no Stop Dog da Afonso Brás, onde morei minha infância inteira. e onde fui tão tão feliz.
criança feliz II #twitteseuferiadododia12
amor, amizade, azeite, cunhado, rodízio, video-game, fondue, cantoria, kung-fu, família, estrada, churrascaria, peixe cru, advil, cloreto de magnésio, pizza, fantástico, sono, cobertor, travesseiro, abraço, trimilique, latinha velha, passeios matinais, blusa nova, mangas brancas, braços fortes, america, salada, salmão, texto coletivo, if this classroom pegar fogo is good pra saber emergecy exit, sobremesa, paulista, belas artes, café, xixi, bastardos, sangue, olhos fechados, beijos, mãos, incêndio, felicidade. aqui é assim!
Acordo fora de mim Como há tempos não fazia. Acordo claro, de todo, acordo com toda a vida, com todos os cinco sentidos e sobretudo com a vista que dentro dessa prisão para mim não existia. Acordo fora de mim: como fora nada eu via, ficava dentro de mim como vida apodrecida. Acordar não é dentro, acordar é ter saída. Acordar é reacordar-se ao que em nosso redor gira.
O auto do frade, Joao cabral de Melo Neto
ACORDAR NÃO É DENTRO. ACORDAR É TER SAÍDA. a Menina escreveu em
30.9.09
a tempestade vem sem dó. os trovões rugem. os raios estrilam. o dia vira noite. o rio transborda. a cidade geme. a gente se assusta. sonhos se afogam. pessoas se inundam. fiéis temem. mães choram. casas desabam. crianças morrem.
e será que alguém decide se transformar de verdade? a Menina escreveu em
8.9.09
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
o fogo
"Eu sabia que algo estava acabando com a minha vida, mas não sabia o que era. Descobrir a minha co-dependência e a forma de me curar dela foi como descobrir o fogo."
A co-dependência tem a ver com formas ostensivas ou sutis de permitirmos que a relação com outra pessoa — por interesse egoísta dela ou por preocupação obsessiva nossa — nos conduza à loucura, à autodestruição, à insatisfação constante e à incapacidade de amar de verdade e ser feliz com alguém saudável, que nos ame de verdade também. E em paz.
Boa Sorte, Good Luck, Ben Harper / Vanessa da Mata a Menina escreveu em
4.9.09
domingo, 30 de agosto de 2009
quando o mal vence o bem
quando o mal vence o bem muitas vezes seguidas, e você já está bem bem destruída, afaste-se: não há mais nada que você possa fazer. (e o mal se consumirá a si mesmo)
...
Me responda, mestre Egeu, o senhor alguma vez já sentiu a clara impressão de que alguém lhe abriu a carne e puxou os nervos pra fora de uma tal maneira que, muito embora a cabeça inda fique atrás do rosto, quem pensa por você é o nervo exposto?
Joana em Gota d'Água, de Chico Buarque e Paulo Pontes
e foi então que ela achou a resposta: "se você não cuida de você, ninguém poderá cuidar" deletou a história, encerrou a exposição, e foi viver longe, bem longe do absurdo.
"- ...how do people change? - Well, it has something to do with God. So it's not very nice. God splits the skin with a jagged thumbnail from throat to belly. Then plunges a huge, filthy hand in. He grabs hold of your bloody tubes. You slip to evade his grasp, but he squeezes hard. He insists. He pulls and pulls... till all your innards are yanked out. And the pain... I can't even talk about that. Then he stuffs them back... dirty, tangled, torn. It's up to you to do the stitching. - Get up. Walk around. - Just mangled guts pretending. - Yeah. That's how people change."
"- ...como as pessoas mudam? - Bom, tem alguma coisa a ver com Deus, então não é muito agradável. Deus rasga a pele, com uma unha dentada, da garganta à barriga. E aí enfia uma mão imensa e suja lá dentro. Ele agarra os seus canos sangrentos e você desliza para escapar, mas ele agarra firme. Ele insiste. Ele puxa, puxa, até que suas vísceras sejam arrancadas para fora. E a dor... Nem consigo falar sobre isso... E aí ele enfia de volta, sujas, enroscadas, rotas. Cabe a você dar os pontos. - Levante-se. Caminhe. - Somente visceras destroçadas fingindo. - É. É assim que as pessoas mudam."
é tudo misturado e não é nada. a gente espera a vida inteira por alguma coisa que nem sabe o que é. a gente pensa que sabe, mas quando chega o que a gente pensou e não é, aí a gente vê que não sabia nada. então a gente continua esperando não se sabe o quê, que complete, que faça feliz todo dia. a gente espera a hora certa, que um dia mude, que o amor chegue, que alguém venha pra ficar, que queira muito, que ame igual, que deseje sempre, que esteja junto de verdade, e em paz, toda noite, toda manhã. a gente espera o bonde, o trem, o avião, o bebê. é tudo misturado e não é nada. eu faço com você o que você faz comigo mas é só pra ver se funciona. senão eu não faria. mas então de tanto fazer acabo achando que eu sou assim, que posso ser assim pra que você continue ao meu lado. eu tento ser diferente para quem sabe você me amar pra sempre. mas talvez eu continue esperando a vida inteira. porque é tudo misturado e não é nada. quando será que só amar basta? a Menina escreveu em
23.8.09
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
a alma boa (e por que desistimos de sê-la)
quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração e quem irá dizer que não existe razão
hoje eu escrevo pra você, que eu sei que me lê, porque chove muito lá fora e acho que você chora sozinha no seu quarto. então lhe faço companhia. você que hoje representa tantas noites que já foram minhas. o papel que tantas vezes foi meu. e ainda é também. e será tanto ainda, embora eu tente. você que talvez seja pequena demais para uma dor tão grande. frágil embora forte. nessa dor da chuva tão cruel que às vezes nenhuma força suporta (além do tempo). muita gente nem sabe. se soubesse não entenderia. a dor. encharcada de falta e vazio e ausência e frio, quem sabe. muita gente não compreenderá jamais. a dor da chuva. mas eu sei e compreendo porque já estive lá. por isso lhe escrevo. você não está sozinha na chuva. ela é nossa. quem já passou por essa tempestade se torna cúmplice para sempre de todos os outros. quem já passou por essa tempestade detém este segredo inacreditável para quem está bem no meio dela: ela passa. mas enquanto é só segredo e você não sabe, eu escrevo pra você. porque chove e você provavelmente chora sozinha no seu quarto. eu lhe escrevo, sozinha no meu. e então estamos juntas e a vida segue com algum conforto. ainda que pequeno, pequena. a Menina escreveu em
20.8.09
1. absurdo é o que não cabe em si, em nós. aquilo que é difícil de expressar. “absurdo” é depois que terminam todas as palavras, mas a coisa continua linda. absurda.
2. Toda vez que uma carta de amor é rasurada, uma borboleta morre. 3. e se hoje fosse o fim?
(...) chorou livremente, como se esta fosse a solução. As lágrimas corriam grossas, sem que ela contraísse um só músculo da face. Chorou tanto que não soube contar. Sentiu-se depois como se tivesse voltado às suas verdadeiras proporções, miúda, murcha, humilde. Serenamente vazia.- Clarice, em Perto do Coração Selvagem a Menina escreveu em
18.8.09
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
minha vida sem mim
é esse espaço vazio e redundante que me mata. permanece e me mata. quando falta abraço, olhar, palavra, convicção. é essa falta nesse vazio. esse espaço. é isso que já não me acalma, não me preenche, não me acalenta, não me convence. não é companhia de verdade. é essa paciência que eu não tenho e essa angustia que tento evitar. em vão. me engano por meio instante e acabou. choro fingindo que não sei por quê, mas sei. sei tão mais do que devia. sei todo dia do que é muito melhor não saber. tanta coisa que eu queria esquecer. e não esqueço. sei. esqueço de mim mas de repente quero desistir outra vez. de verdade. quero falar mas não sai. eu sei, mas não sai. e o que eu vejo me dói porque de novo me falta o reflexo. me falta o que de novo são os outros que têm. e eu tenho só que entender. só que não, eu não consigo. porque me falta me falta me falta. choro quando não deveria. eu sabia. é esse espaço vazio e redundante que me mata. a Menina escreveu em
17.8.09
domingo, 16 de agosto de 2009
sem exclamação
Sou fraca, dúbia, há uma charlatã dentro de mim embora eu fale a verdade. E sinto-me culpada de tudo. Eu que tenho crises de cólera, "cóleras sagradas". E não encontro o recolhimento da paz. Por piedade, me deixem viver! Eu peço pouco, é quase nada mas é tudo! Paz, paz, paz! Não, meu Deus, não quero ter paz com ponto de exclamação. Quero apenas o mínimo seguinte: paz. Assim, bem, bem devagarzinho... Assim... quase dormindo... Isso... isso... está quase vindo...
Não me assustem, sou assustadíssima.
Clarice, em Um Sopro de Vida a Menina escreveu em
16.8.09
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
a passagem
e então nos deparamos com ela outra vez. e de novo nos damos conta de toda a insensatez: o resto é pequeno demais diante do que inflama. o importante é estar perto de quem se ama.
e eu te amo. por isso estou perto de você neste momento dolorido e em todos os outros. pelos próximos... quantos anos mesmo?!
PS1: te prometo, logo logo vamos comprar a nossa pra Paris em homenagem a eles. PS2: as duas estão fazendo quibe cru juntas pra turma de lá! isso sim é o paraíso! a Menina escreveu em
12.8.09
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Cuidame
Cuida de mis labios, Cuida de mi risa. Llévame en tus brazos, Llévame sin prisa.
No maltrates nunca mi fragilidad, Pisaré la tierra que tú pisas.
Cuida de mis manos, Cuida de mis dedos. Dame la caricia, Que descansa en ellos.
No maltrates nunca mi fragilidad, Yo seré la imagen de tu espejo.
Cuida de mis sueños, Cuida de mi vida. Cuida a quién te quiere, Cuida a quién te cuida.
No maltrates nunca mi fragilidad, Yo seré el abrazo que te alivia.
Cuida de mis ojos, Cuida de mi cara. Abre los caminos, Dame las palabras.
No maltrates nunca mi fragilidad, Soy la fortaleza de mañana. Cuidame, Pedro Guerra e Jorge Drexler a Menina escreveu em
11.8.09
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
prefiro que alguém fale por mim porque se eu falar serei direta cruel e estúpida ou do egoísmo, do desrespeito, da arrogância, do desamor e outras histórias ou como uma fruta estragada pode contaminar toda a cesta ou, enfim, ... As almas fracas como você são facilmente levadas a qualquer loucura com um olhar apenas por almas fortes como a minha. - Clarice, de Obssessão, em A Bela e a Fera É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque se a experiência é sublime pode tornar-se igualmente perigosa. Aprenda a encantar e a desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de precioso: a mágica oposta do "abre-te, Sésamo". Para que um sentimento perca o perfume e deixe de intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol. - de novo, de Obssessão - em A Bela e a Fera
Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento: a luz da aurora. - Clarice, em Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres
E sabia que era uma feroz entre os ferozes seres humanos, nós, os macacos de nós mesmos. Nunca atingiríamos em nós o ser humano. E quem atingia era com justiça santificado. Porque desistir da ferocidade era um sacrifício. - de novo, Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres a Menina escreveu em
10.8.09
domingo, 9 de agosto de 2009
ele
escuto histrórias e reconheço o que não quero mais
repetidas iguais diferentes antigas e tão atuais
escuto histórias e me assusto
estou com medo de tudo a Menina escreveu em
9.8.09
enquanto você me abraça e dorme em mim eu durmo com você dentro a Menina escreveu em
3.8.09
sábado, 1 de agosto de 2009
eu já provei o amor pelo sabor do gesto
preciso registrar este dia. de alegria. e eu merecia.
show da Zelia no Citibank. cancelaram minha peça às 21h. 21h45 cheguei na bilheteria, vazia. 21h48 eu tinha o que mais queria o me-lhor-lu-gar da platéia. fila UM, mesa do MEIO, cadeira colada no palco. entre ídola e plebéia, nada, só hipnose e ar. ao meu lado, o meu amor, holding my hand. (e a odete roitman).
a redenção do 31 de julho, dez anos depois do tombo. (três dias depois do tombo) a Menina escreveu em
1.8.09
terça-feira, 28 de julho de 2009
a maldição do dia seguinte em dois atos rápidos e cortantes
1. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e a minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver. Clarice Lispector, em Água Viva
2. Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com as duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Clarice, em A Paixão Segundo G.H. a Menina escreveu em
28.7.09
segunda-feira, 27 de julho de 2009
27 de julho
é meu aniversário e me sinto feliz como havia muito não sentia.
eu amo aniversário mas amo muito mais quem enche minha vida de alegria.
então de aniversário o presente maior é este: tudo que é leve, e lindo... tudo aquilo que alivia.
não é só no álbum de fotos que vocês vão entrar. mas na minha vida, na minha história, no meu lar.
não é só um cinema, um café, um almoço, um jantar. eu quero viagens longas, confidências, montanha e mar.
não é só porque por acaso vocês estão lá e eu vou encontrar. nós agora estamos ligadas de fato e não vai ser nada fácil separar.
não é só porque eu quis tanto que vocês se aproximassem pra ficar. é que nada é mais bonito do que o verbo onde tudo entre nós está: amar. a Menina escreveu em
26.7.09
ressuscitamos o john e agitamos a cidadezinha do carlos
e então você acorda de sonhar comigo e eu acordo de sonhar com você
e a gente descobre que o sonho não acabou. eta vida besta boa, meu Deus! "Devagar... as janelas olham." a Menina escreveu em
13.7.09
domingo, 12 de julho de 2009
doze de julho Nem tudo que reluz corrompe Nem tudo que é bonito aparenta Nem tudo que é infalível se aguenta Nem tudo que ilude mente Nem tudo que é gostoso tá quente
Nem tudo que se encaixa é pra sempre
Nem tudo que é sucesso se esquece Nem todo pressentimento acontece Nem tudo que se diz tá dito
Nem tudo que não é você é esquisito
Nem tudo que acaba aqui Deixa de ser infinito nem tudo, zelia duncan a Menina escreveu em
12.7.09
quarta-feira, 8 de julho de 2009
o novo infinito
e então num dia 8 novo depois de uns 800 dias e de umas 80 mil desvontades há de novo uma alegria sem prazo o começo de algum caminho bonito e feliz
E quando você me vê eu vejo acender outra vez aquela chama Então pra que se esconder você deve saber o quanto me ama Que distância vai guardar nossa saudade Em que lugar vou te encontrar de novo Fazer sinais de fogo Pra você me ver Quando eu te vi e te conheci Não quis acreditar na solidão E nem demais em nós dois Pra não encanar Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito Eu interrogo meu espelho Espelho em que eu me olho Pra você me ver Porque você não olha cara a cara Fica nesse passa não passa O que te falta é coragem...
tô namorando aquela mina e já sei se ela me namora
Minha mina Minha amiga Minha namorada Minha gata Minha sina Do meu condomínio Minha musa Minha vida Minha monalisa Minha vênus Minha deusa Quero seu fascínio
mina do condomínio, seu jorge a Menina escreveu em
8.7.09
ela olhava para o nada e pensava no que queria dizer. não achava as palavras perfeitas, mas conhecia tão bem aquela sensação. talvez se deixasse em branco, quem lesse entenderia melhor. aquela coisa. aquela coisa que a gente sente quando sabe que aquilo vai acontecer de novo. ela sentia, e sabia. e não gostava nada de sentir aquilo. ai, como destestava aquilo. ela sentia e detestava. sempre queria que não acontecesse mais, mas de repente acontecia. de novo, mais uma vez, inevitável. aquela coisa. aquela coisa. a Menina escreveu em
2.7.09
segunda-feira, 29 de junho de 2009
hércules e afrodite
hoje eu recebi uma enorme prova de amor. não sei exatamente que tipo de amor é esse, mas não importa. eu sei que é amor.
porque quando alguém supera uma dificuldade enorme, e consegue voltar atrás de uma mentira muito repetida e te dizer a verdade com a maior doçura do mundo, só pode ser por amor. e com amor.
e é normalmente ele mesmo, o amor, que nos faz superar o difícil, o impossível, o improvável, quase tudo que atrapalha a felicidade.
portanto ame de verdade - e com verdade - e o resto vem. a Menina escreveu em
29.6.09
a ver dade é que eu estou me protegendo de você. e não sei se vou conseguir sair da concha. não sei se vou sentir de novo o que sentia antes. embora eu sinta um monte de coisas. mas se não for como era será que vale a pena pegar a onda ?
hoje falta exatamente um mês pro meu aniversário que eu adoro amo festejo muito. um monte de coisas aconteceram hoje entre amores e visitas e peças e sequestros. mas o melhor de tudo aconteceu às duas e meia da manhã no meio da rua. porque é muito divertido pensar que depois que você cruza por acaso com determinada pessoa caminhando na calçada de madrugada ela e você fazem exatamente o mesmo comentário tosco no segundo que se segue ao olá mais tosco ainda: era a ex-namorada da minha ex-namorada. e a pessoa que está ao seu lado sorri um sorriso cúmplice e apenas deixa a vida seguir feliz e compassada. era óbvio que ia acon tec er. a Menina escreveu em
27.6.09
sexta-feira, 26 de junho de 2009
balanço | s. m. 1. Movimento de oscilação ou vaivém. 2. Sacudidela, solavanco. 3. Trapézio. 4. Hesitação. 5. Mudança (sem caráter de duração). 6. Operação de contabilidade tendente a conhecer a receita e a despesa.
fechada | adj. 1. Que não está aberta; cercada de muros. 2. Unida, compacta. 3. Reservada; retraída. 4. Insensível. a Menina escreveu em
26.6.09
é tão fácil amar você que eu nem me culpo. a heresia seria minha se eu não te amasse. essa comunhão é a verdadeira oferenda. eu te ofereço meu cuidado, meu tempo. você me dedica palavras e gestos e sons. e tudo se ilumina quando eu te olho nos olhos. e quando nos vemos, muito além do que pensam. quando nos vemos como só nós sabemos. com os olhos molhados ou não, é lindo e único e nosso. e estava tudo lá, naquele abraço. em todos os abraços.
sim, filha minha, amada minha, poderemos entrar no paraíso. e assim será feito. graças a deus!
te amo com todo o carinho do mundo. a Menina escreveu em
21.6.09